A alcofa

•Janeiro 6, 2012 • 15 Comentários

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               Final da tarde de 31 de Janeiro de 2011.
               A família começou a reunir-se para juntos entrarem no novo ano.
               Este ano a chegada foi feita de uma forma bem diferente de qualquer outro.
               Em cada rosto um sorriso.
               Em cada coração mais um lugar ocupado.
               Em cada gesto o acolhimento.
               Em cada palavra uma melodia.
               Em cada olhar a ternura.

               O motivo:

                       Traziam com eles a alcofa.

               Dentro de casa os que lá estavam já a esperavam.
               Quem lá estava antes mesmo de a ver já sabia que ela tinha chegado.
               Largaram-se os tachos,
               Largou-se o lume acesso para o churrasco,
               Largaram-se as brincadeiras,
               Largou-se o lugar junto à lareira,
               Largaram-se os preparativos na mesa do jantar,
               …
               Tudo ficou para trás.

               Todos rumaram num só destino…

               A alcofa.

               A alegria em cada cara era geral.

               Dentro da alcofa vinha o “Menino Jesus”.

               O nosso “Menino Jesus”.
               Por uma noite e um dia ele foi nosso.

               Foi um tempo vivido em plena partilha de afectos.
               De dar.
               Do mais novo ao mais velho todos lhe deram tempo.
               A composição do tempo foi feita de ingredientes vitais, simples e grátis:
                        Carinho.
                        Atenção.
                        Beijinhos.
                        Miminhos.
                        Amor.
                        Disponibilidade.
                        …

               Deu-nos tanto.
               Dar na sua inocência de um bebé de 8 meses.
               O sorriso na carinha rechonchuda.
               O palrear de pardalinho feliz.
               O prazer do chapinhar no banho e a todos molhar.
               A papa comida como um verdadeiro comilão.
               A fralda a corresponder.
               Os sonos adormecidos ao colo, juntinho ao coração.
               As brincadeiras numa manta no chão em que todos que lá entraram passaram a ser crianças como ele.
               …

               Para nós que demos, a sensação de ter sido muito pouco é enorme.
               Para nós ele deu tudo a dobrar.

               Domingo à noite na despedida.
               Quem o rodeava tinha um sorriso na cara, mas para os mais atentos em muitas delas o sorriso molhava a cara.
               Nos nossos pensamentos o desejo de uma vida futura repleta do que levou de nós, mais o que de bom a vida pode e deve dar a quem, como ele, se viu privado do ser mais precioso – uma Mãe.

                Foi juntar-se a outros meninos e meninas que sem lar foram acolhidos naquela casa
                Foi um adeus até breve.

                O “Menino Jesus” passou em minha casa.

                ***//***

                Porquê o acolhimento naquela casa?
                As discussões e violência entre os pais com o filho no meio.

                 Hoje, passados uns meses, os pais vão visita-lo.
                 Duas horas por semana.
                 Vão juntos.
                 Nas duas horas preocupam-se mais com eles, em mostrar a quem os vê que a união é presença entre eles do que dar àquela criança o que lhe é devido.
                 Se a violência e discussões era uma constante como é que no espaço de uns meses a paz reina entre eles?
                 Seria o bebé o causador?
                 Que certezas existem que na volta ao lar tudo não volte ao mesmo?
                 ????
                 Como pode uma Mãe deixar ir um filho dos seus braços para os braços de desconhecidos?
                 Uma Mãe que tinha e tem nas mãos dela o poder de o não deixar sair.

                 No dia em que o recebemos tinha tido antes a visita dos pais.
                 Saíram, de junto dele, felizes da vida para irem festejar a passagem do ano.

                 Como é que existem Mães assim?
                 Não sei.

                                   Caracol Voador (odia.vira@hotmail.com)

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O nascimento de Jesus

•Dezembro 26, 2011 • 6 Comentários

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“Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. 2Este   recenseamento foi o primeiro que se fez, sendo Quirino governador da Síria. 3E iam todos recensear-se, cada qual à sua própria cidade. 4Também José deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da linhagem de David, 5a fim de recensear-se com Maria, sua mulher, que se encontrava grávida. 6E quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz 7e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoira, por não haver lugar para eles na hospedaria. 8Na mesma região encontravam-se pastores, que pernoitavam nos campos guardando os seus rebanhos durante a noite. 9O anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu em volta deles, e tiveram muito medo.

              10Disse-lhes o anjo:

          “ – Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: 11Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias, Senhor. 12Isto vos servirá de sinal para o identificardes: encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.”

                13De repente, juntou-se ao anjo uma multidão de exército celeste, louvando a Deus e dizendo:

                 14 “ – Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de Seu agrado.”

                  15Quando os anjos se afastaram em direcção ao Céu, os pastores disseram uns aos outros:

             “ – Vamos então até Belém e vejamos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer.” 16Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o Menino, deitado na manjedoura. 17E quando os viram, começaram a espalhar o que lhes tinham dito a respeito daquele Menino. 18Todos os que os ouviram se admiraram do que lhes disseram os pastores. 19Quanto a Maria, conservava todas essas coisas ponderando-as no seu coração. 20E os pastores voltaram glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, segundo lhes fora anunciado.”

 (Lucas 2,1-20)

                                       Caracol Voador (odia.vira@hotmail.com)

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Primavera…? Liberdade…? Onde…?

•Dezembro 23, 2011 • Deixe um Comentário

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Terá sido para isto a primavera árabe?

Fica a pergunta.

A foto corresponde a uma cena do video.

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Manifestante sofre a violencia das novas autoridades do Egipto

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Todos temos um tambor

•Dezembro 21, 2011 • Deixe um Comentário

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Neste Natal fica para todas uma música que é uma pequena história e uma mensagem. Mesmo com todo o sofrimento de cada uma há sempre um tambor.

Porque a musica do video legendado, numa tradução livre, não está com o som nas melhores condições, fica mais abaixo a mesma musica com outra letra e com outra melhoria.

Feliz Natal para todas!

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Paraíso é…

•Dezembro 6, 2011 • Deixe um Comentário

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Paraíso é… Estar em qualquer lugar contigo

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Dia de caça

•Dezembro 1, 2011 • 30 Comentários

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            A madrugada avançava e com ela o nascer do dia.
            Dentro de casa a azafama do costume de mais um dia de caça.
            A roupa de ir à caça vestida.
            A arma às costas e os cartuchos à cinta.
            Os cães, no seu transporte, irrequietos por mais um dia de correria por montes e vales no encalço de coelhos, lebres, etc.

            Tudo pronto para mais um dia de caça.

            Nesse dia o nascer do dia trouxe com ele outro nascimento.

            Mas era dia de caça.

            Sendo dia de caça qualquer outro acontecimento ficaria para segundo plano.
            Tinha que esperar.

            Ela sabia.
            Mesmo assim falou:
            - A Maria vai nascer.
            - Ainda é cedo. Ainda tenho tempo de ir aos coelhos.
            - Mas …

            Não teve ouvidos que a ouvissem.
            Ele partiu para mais um dia de caça. Os amigos e os coelhos esperavam-no

            Dentro de casa a Mulher e a filha esperavam por ele.

            Abandonou-as ao seu destino.

            Ficaram sozinhas.
            Lembrou-se do que lhe foi sendo feito ao longo do tempo em que a barriga foi crescendo.
            Tempo que lhe foi roubado para outros vícios. Vícios do corpo. Fora de casa.

            Sozinhas.

            O carro que as devia transportar ao local do nascimento da filha foi levado por ele.
            Levado para transportar os amigos para a caça.

            Em desespero ligou o 112.
           Pediu ajuda.
            Uma vez mais teve que esperar.
            Sozinhas esperaram e juntas sofreram a ausência a quem pediu ajuda.

            A quem pediu ajuda todos chegaram atrasados.

            Só a Maria chegou na hora dela.

            Chegou … e partiu …
            Partiu dos únicos braços que estavam à sua espera.
            Os da Mãe.
            …
            A caçada terminou.
            Da boca dele as palavras saíram como facas de um cortador de carne – afiadas.
            Cruéis.
            - Em casa estão 3 coelhos. Vão fazer uma boa arrozada.

            Foi o conforto que este homem deu à Mulher quando depois de chegar da caçada a foi visitar.

            Um dia de caça teve mais valor do que o nascimento de uma filha.

            Que ser é este?

            Não é Homem.
            Não é pai.
            …
            Hoje e agora este post foi só sobre ele.
            Ele – o pai.

            ***

           A ti.
            Não desistas.
            Sabes que tens a teu lado o bem mais precioso que uma Mulher pode ter.
            Apesar de tudo a vida recompensou-te.
            Por ele e para ele sê a Mulher e Mãe que sempre tens sabido ser.

            O teu dia também virá.

            (Maria é um nome fictício.)

                                               Caracol Voador (odia.vira@hotmail.com)
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Às duas

•Novembro 25, 2011 • 1 Comentário

O dia avançava a passos largos e na cabeça de Avalon a raiva e o ódio cresciam.
As mãos crispavam-se em torno da própria raiva e do ódio que o consumiam. À sua volta tudo era deserto e perene.
Enjaulado no seu próprio corpo, preso na cabeça que o atormentava, impotente para deixar sair de forma calma tudo o que o atormentava, Avalon, maldisse a vida, as mulheres e o amor.
A raiva crescia com um tamanho desmesurado.
Tudo era imenso.
O corpo dorido, a alma negra, o tempo cinzento.
Avalon, sentou-se e ligou o computador.
Abriu o blog e deixou a raiva sair.
Um a um, vigou-se sobre todos e cada um dos comentários que aguardavam publicação. Mais do que comentários eram abraços de carinho para aquela mulher.
Um a um, dezenas deles, Avalon apagou-os.
Um a um roubou-lhos.
Cada um que apagava, sentia como se estivesse a cravar uma faca naquela mulher que desconhece.
Um a um roubava um abraço.
O dia não tinha acabado.
A raiva estava lá.
Avalon ainda não estava satisfeito.
As suas mãos escreveram facadas para o deserto.
Ia escrevendo e rejubilando. Cada frase pequenina acertava no deserto quente e poeirento.
Uma. Duas. Vezes sem conta.
Teleguiadas as frases curtas acertavam em quem tanto o tem ajudado.
Melhor ainda.
Assim, melhor escrevia o seu ódio.
Num dia de terror, acções de terror.
Num único dia, numa única raiva, Avalon, fez o que ninguém esperava.
De uma assentada, maltratou as duas.
Duas mulheres para quem ele devia ter o devido respeito.
Ás duas, hoje e agora, vergonho-me do meu acto.
Ás duas, hoje e agora, presto a minha homenagem.
Obrigado por serem mulheres.

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As voltas da vida

•Novembro 15, 2011 • 35 Comentários

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                Hoje sabe que casou com o homem errado.
                O homem que quebrou todas as promessas antes mesmo de ter colocado alguma em prática.
                Hoje conhece o outro lado do homem que tem como marido
                Sabe o que ele lhe faz.
                Fez antes de casar.
                Continuou a fazer.
                E vai continuar.

                Numa volta da vida …
                Sem ter que fazer nada para tal, ela trouxe até ela o que lhe é feito às escondidas.
 
                Os olhos dela não a enganam no que vê.
                Com o que vê vai juntando as pontas que andavam soltas.
                Tem o puzzle completo.
                Conhece de cor e de olhos fechados cada peça do puzzle.
                A vida dele.
 
                Ela não queria ter este puzzle.

                Sabe que o tem que ter.
 
                Um motivo.
                Um só motivo.
 
               As filhas.
 
               Por elas convive diariamente com quem a desrespeita como Mulher e Mãe das filhas dele.
 
               E a vida está a dar outra volta …
 
               Ela sabe outra coisa.
 
               Sabe que junto ao homem errado com quem casou existia outro.
               Existe outro.
 
               Com as promessas todas quebradas atreveu-se a olhar para o lado.
               E ele estava lá.
               Continuava lá à espera dela.
 
               Hoje coloca uma questão a ela própria:
 
               “Não sei o que fez com que este homem mantivesse ao longo de tantos anos esta chama dentro dele.”
               A chama acesa por ela.
 
               Não interessa saber o porquê.
 
               Interessa, é o hoje o agora.
 
               Ela sabe o que quer …
 
               Quer ser feliz.
               Quer reencontrar o que perdeu ou se calhar nunca encontrou.
               Quer ser amada.
               Quer ser desejada.
               Quer ser respeitada.
               Quer …
 
               Quer sentir-se única nestes quereres nos momentos em que a vida o permitir.
               Em todos os momentos que ela vai encontrar e não vai deixar passar.
               Em todos os momentos que ele lhe der e ela vai estar.
               Em tudo o que na vida possam partilhar.
 
               Momentos únicos.
               Momentos que lhe farão enfrentar a vida “lá fora”.
 
               Em passos pensados e ao ritmo dela – ela vai lá chegar.
 
               Ela sabe onde.
 
               Ela sabe que tem ao lado dela um grande Homem.
 
               “O teu dia chegou.”

                                                            Caracol Voador (odia.vira@hotmail.com).
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Sem saber como estou

•Outubro 26, 2011 • Deixe um Comentário

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Nesse dia

•Outubro 21, 2011 • Deixe um Comentário

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                 No parque do hotel, num momento fugaz o dia deu as boas vindas à noite tropeçando na memória.
                 Num abraço tão longo como as saudades, a Índia deixou cair as lágrimas sabendo que naquele momento tinha quem lhas limpasse.
                 Naquele momento, tão fugaz como o é a própria vida, entre desejos e inquietações, o abraço aconteceu demorado e bom.
                 Despediram-se do abraço, com votos renovados de um abraço ainda mais demorado e bom, cheio de desejos e sem inquietações de olhares.
                 Ambos partiram em direcções opostas, sabendo que o caminho que os separa é o mesmo que os irá unir de novo.
                 Aquele abraço permitiu forças renovadas para que a vida continue a crescer.
                 Avalon partiu, sabendo que os dias que se aproximam, tal como tantos outros já passados, vão exigir ainda mais amor, dedicação e carinho à sua Índia.
                 O dia virá… breve… em que queimada mais uma etapa, vencida mais uma batalha, a Índia respirará mais um pouco de tranquilidade e temerá pela batalha futura.
                 Avalon, com um sentimento muito forte enquanto os corpos não se unem de novo, foi de fim de semana levando na cabeça a certeza que o amor é exigente e que por amor tudo lhe pode ser pedido.
                 O dia virá… cedo ou tarde, em que Avalon se chegará mais perto da Índia e lhe dará por inteiro o filho.
                 Nesse dia Índia e Avalon se unirão num abraço que irá maravilhar o mundo, tirará o brilho das estrelas e todos os meninos passarão a serão livres de crescer.
                 A Lua brilhante e delicada, irá abraçá-los com o seu manto de luar.
                 Nesse dia a Índia será a própria Lua.
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