Às duas
O dia avançava a passos largos e na cabeça de Avalon a raiva e o ódio cresciam.
As mãos crispavam-se em torno da própria raiva e do ódio que o consumiam. À sua volta tudo era deserto e perene.
Enjaulado no seu próprio corpo, preso na cabeça que o atormentava, impotente para deixar sair de forma calma tudo o que o atormentava, Avalon, maldisse a vida, as mulheres e o amor.
A raiva crescia com um tamanho desmesurado.
Tudo era imenso.
O corpo dorido, a alma negra, o tempo cinzento.
Avalon, sentou-se e ligou o computador.
Abriu o blog e deixou a raiva sair.
Um a um, vigou-se sobre todos e cada um dos comentários que aguardavam publicação. Mais do que comentários eram abraços de carinho para aquela mulher.
Um a um, dezenas deles, Avalon apagou-os.
Um a um roubou-lhos.
Cada um que apagava, sentia como se estivesse a cravar uma faca naquela mulher que desconhece.
Um a um roubava um abraço.
O dia não tinha acabado.
A raiva estava lá.
Avalon ainda não estava satisfeito.
As suas mãos escreveram facadas para o deserto.
Ia escrevendo e rejubilando. Cada frase pequenina acertava no deserto quente e poeirento.
Uma. Duas. Vezes sem conta.
Teleguiadas as frases curtas acertavam em quem tanto o tem ajudado.
Melhor ainda.
Assim, melhor escrevia o seu ódio.
Num dia de terror, acções de terror.
Num único dia, numa única raiva, Avalon, fez o que ninguém esperava.
De uma assentada, maltratou as duas.
Duas mulheres para quem ele devia ter o devido respeito.
Ás duas, hoje e agora, vergonho-me do meu acto.
Ás duas, hoje e agora, presto a minha homenagem.
Obrigado por serem mulheres.
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O que fizeste não é admissivel.
Só este gesto te pode perdoar.
Vou deixar um comentário no outro post.